segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O jogo da vida( peça teatral)

Vou postar aqui o roteiro escrito por mim a uma peça que eu fiz esse ano, dediquei dois dias a fazer-lo e espero que gostem, obrigado!



O jogo da vida



           Ouve-se um  barulho de carro chocando-se com algo ou alguma coisa. Tudo está escuro e Nathalia acorda. Ela se vê em um lugar medonho, com uma nevoa muito densa em volta, tentando recomeçar a andar, percebe que esta fraca, mas o motivo ainda não sabe.
De repente, ela encosta-se em alguma coisa, de traz dela, que não parecia parede, nem arvore  ou qualquer coisa do tipo. Ela vira-se assustada e se depara com uma figura sinistra toda de preto e olhando fundo em seus olhos. Ele anda calmamente em sua direção, e ela simplesmente não foge, corresponde ao seu olhar, quando ela faz duas voltas nesse ser, se afastando, ouve uma voz grossa e poderosa se apoderar do lugar:
-Bem vinda ao jogo! – Gritou ele.
-Que jogo? – Gritou Nathalia – quem é você?
-O jogo da sua vida – Diz o homem apontando em sua direção.
-Mas... – Porem, antes dela ao menos pensar, desmaia.
O que mais parecia um Condutor, sumira e deixara o cenário para uma figura espalhafatosa. Essa figura mais parecia com um coringa, que agora cheirava Nathalia no chão. Ele anda um pouco para o lado e puxa, com o dedo indicador outra figura, mas dessa vez, mais meiga, que ao ver seu “colega” tentando se apossar do corpo da garota, da um tapa em seu rosto. Eles dançam e depois de um tempo, levantam Nathalia, que acordara no mesmo momento. Ela tenta fugir daquelas figuras que agora estavam a assustando mais do que a ultima, mas eles a capturam e é naquele momento em que ela percebe um grande tabuleiro em sua volta , ela estava no inicio do tal jogo que o homem dissera:
-Escolha as cartas! – Reapareceu o homem de preto.
-Que cartas? – Disse Nathalia, mas agora notando que o coringa estava com alguns envelopes em mãos – E quem são esses?
-São os coringas, vão me ajudar no trajeto, agora vamos, escolha as cartas, meu tempo é precioso.
Nathalia queria resistir, mas a única coisa que podia fazer era cooperar, pois não sabia onde estava e talvez, aquelas “pessoas” estavam ali para ajudá-la. Ela escolhe a carta e entrega para a coringa, que não parecia satisfeita com sua presença ali. Tira a carta como se não se importasse com a sua pessoa e corre para entregar ao condutor:
-Ande _ casas.
E lá vão os coringas empurrarem Nathalia, nas casas necessárias. Ela olha para o chão, estava uma coisa familiar para ela. Ela se abaixa e pega, a foto de sua família agora estava em suas mãos:
-O que é isso? – Pergunta ela indignada. – O que a foto da minha família esta fazendo aqui?
-Você não lembra? – Pergunta o condutor – Essa foto significava o amor de sua família, volte quatro anos da sua vida e verá. 
Nesse momento, os coringas empurram Nathalia para o outro lado e ela começa a ver um flash de sua vida.

Primeiro Flash
Família

A mãe e o pai estão no hospital desesperados a espera da filha, que precisava fazer uma doação de sangue, para seu irmão doente:
-Ela não vai fazer a doação – Fala a desesperada mãe – Não vai...
-Fica calma... – disse o pai.
-Ela não vai, eu tenho certeza – Nesse vai e vem de conversa o pai fica irritado e a senta na cadeira.
-Calma! – Grita ele – ela vai fazer a doação, quando ela chegar, eu falo com ela.
Neste mesmo momento, Nathalia chega, e vendo a situação da mãe, chorando, pergunta:
-Oi mãe, oi pai, o que esta acontecendo?
-Filha – Diz o pai pegando a menina a e sentando ao lado da mãe – Nós precisamos conversar.
-Diz logo, to com pressa.
-Você precisa fazer a doação para seu irmão, ele ta muito doente.
-Eu? – Diz Nathalia ironizando – Doar sangue para aquele retardado? Até parece.
-Você vai doar sim! – Grita o pai pegando violentamente em seu braço.
Nathalia o empurra:
-Filha! – Grita a mãe – Por favor, faça essa doação, em bem do seu irmão e por nós!
-Eu não! – Gritou Nathalia – Se virem para achar sangue melhor.
Ela vai embora:
-Filha, por favor, não... por favor... – Falava a mãe engasgando com o próprio choro enquanto o marido a segurava, mostrando que não ia adiantar segui-la.

Voltando para o tabuleiro

-Eu não ia mesmo doar sangue para aquele retardado – Gritou Nathalia, virando-se para o condutor – E ninguém poderia me obrigar!
-Isso mostra que sua família, tanto quanto seu irmão, não valem nada para você, eu vou lembrar bem disso, vamos continuar, escolha outra carta.
Nathalia pensou em dizer mais alguma coisa, mas percebeu que era inútil, o condutor parecia impaciente para que ela escolhesse a próxima carta.
E novamente foi a coringa levar a carta para o condutor:
-Ande _ casas.
E mais uma vez os coringas a empurraram. Ela olha para baixo e então, encontra uma lata de cerveja, nervosa, protesta:
-Eu não bebia!
-Há... Não mesmo? – Ironizou mais uma vez o condutor. – Mas ela não apenas significa uma, mas varias que você tomou, volte 2 anos da sua vida e verá.

Segundo Flash
A bebida

Nathalia andava com uma amiga perto de um tipo de salão de festas, quando ela avista uma outra colega que não via há muito tempo, ela resolve parar para conversar e já estava com algumas bebidas correndo dentro de seu cérebro:
-Nossa amiga, tudo bem? – Gritou Nathalia, “animada” – Quanto tempo!
-Oi amiga, senta aqui com a gente – apontou a amiga para duas cadeiras vazias ao lado dela. – Olha, esse aqui é meu namorado.
-Oi. – murmurou o homem ao lado da amiga.
-Então, como vai? – Disse Nathalia.
-Eu to ótima!
-Desculpe perguntar, mas quanto tempo de namoro você tem? – Já interessada, disse a esperta Nathalia. 
-Quatro anos – disse a amiga.
-Nossa! – Impressionada estava Nathalia. – Tudo isso? Faz tanto tempo assim que eu não te vejo?
-Sim amiga, mas agora eu vou ao banheiro viu, fica conversando com meu namorado – Disse a ingênua amiga.
Quando ela acabara de sair, Nathalia salta como um coelho quase morto de fome encima de uma cenoura, encima do namorado da amiga:
-Nossa... que delicia, não quer brincar um pouco?
-Que isso – protestou o namorado – Ela já esta voltando sua doida.
-Não tenho ciúmes, vem cá.
Quando ela ia lascar um beijo no pobre homem, a namorada chega e entra em um estado de nervoso enorme:
-Sua vagabunda – Gritou a amiga tirando do lado de seu namorado – Sai daqui!
-Tchau gato, me liga. – Comentou a ignorante Nathalia.
A namorada vira-se para o namorado com os olhos lavados em lagrima:
-Como você pode? – Gritou – você trocou quatro anos por uma mulher?
-Não amor! – Protestou o namorado – Ela que me agarrou.
-Não escolhemos os país de nossos filhos. – disse a amiga triste e afogada em choro.
-Como é? – disse o namorado – Você esta grávida? Quer dizer que eu vou ser pai?
-Não! – Gritou a namorada – Eu vou ser mãe, você não merece essa criança.
Ela vai saindo do lugar, quando uma forte dor ataca sua barriga por causa da raiva que passara e faz ela cair da pequena escada, porem, uma enorme montanha para uma gestante. O namorado grita por ajuda, mas é tarde de mais, ela e o bebe já estavam mortos.


Voltando para o tabuleiro

Nathalia estava super assustada e impressionada, nem ela mesma sabia que a amiga tinha morrido, tanto quanto o estava grávida:
-Eu juro que não sabia! – Gritou ela.
-Mas isso não te impediu de dar encima do namorado dela não é?
-Quem é você para me culpar? Você não falha às vezes?
-Não se trata de mim e pare de se bancar a coitada, você fez e pronto, agora eles dois estão mortos, terá de conviver com isso.
Nathalia abaixa a cabeça, mas força para que uma lagrima não role por seu rosto:
-Você só apresentou desculpas e desculpas, que não valem de nada aqui, mas vamos deixar isso para mais tarde, continue, escolha outra carta.
Nathalia pega outra carta e entrega para a coringa saltitante, estava feliz pelo condutor ter dado uma bronca nela:
-Ande _ casas.
Nathalia anda e encontra outra coisa, uma coisa que realmente, ninguém sabia:
-Como você sabe disso? – Mais desesperada estava agora. – Ninguém sabia disso!
-Você acha mesmo que ninguém esta vendo, mas sempre há alguém observando tudo, volte um ano da sua vida e você verá.

Terceiro Flash
As drogas

Alguém estava muito nervoso, e segurava os cabelos de Nathalia, por causa de uma pequena divida:
-Você não vai me pagar? – Gritou o homem de olhos pequenos, porem, avermelhados pelo grande consumo das drogas, naquele mesmo instante.
-Calma! – gritou Nathalia de dor, pela brusca forma que o homem segurava seus cabelos – Eu vou pagar, eu vou pagar!
-Vai mesmo? – Gritou o homem , enquanto jogava Nathalia no chão. – Então eu quero agora!
-Mas eu não tenho agora!
-Então você vai morrer! – Gritou o homem, direcionando sua mão a alguma coisa que estava debaixo de sua camisa, provavelmente uma arma.
Quando uma colega de Nathalia chega e salva sua vida:
-Calma por favor, calma – Diz ela tirando o pouco dinheiro que tinha. – Toma, pega esse dinheiro – Disse a amiga ajudando Nathalia a se levantar do chão.
-Só isso? – Gritou o homem mais furioso do que já estava – Isso não paga nem a metade do que ela esta devendo!
-Ela vai pagar, ela vai pagar! – Desesperada, declarou a amiga para livrar Nathalia do pior.
-É bom mesmo!

Voltando para o tabuleiro

-Esse dia eu não tinha como saber que ele ia fazer isso – Disse Nathalia, tentando se justificar novamente – ele sempre foi meu amigo!
-Ou foi o que você pensou que era, mas... nunca foi assim. – Disse o decepcionado condutor. – Mas não se preocupe, seu destino está próximo, escolha a próxima carta.
Nathalia sentiu um arrepio em sua espinha quando o Condutor terminou a frase. Ela escolheu outra carta e entregou na mão da coringa, ela levou e entregou novamente ao condutor:
-Ande _ casas.
Nathalia anda, calmamente, agora, por livre e espontânea vontade, sabia que se não o fizesse, os coringas iam obrigá-la. Ela encontra agora, a camiseta de seu irmão e começa logo a gritar:
-E agora? Vai me culpar novamente com seus discursos ridículos?
-Olha... – Disse o condutor – Você acredita que não?
-O que?
-Finalmente, uma coisa boa.
Nathalia percebera àquela hora, que o sujeito, mesmo sem expressão, adotou um comportamento como se estivesse impressionado com a sua pessoa:
-Volte naquele mesmo dia e verá.

Quarto Flash
A doação

Lá estavam os pais, esperando a morte do pobre filho, quando Nathalia chegara desesperada, ainda pensando nos problemas que teve naquele dia com seu “amigo”:
-Filha, tudo bem? – Disse a mãe, tentando se distrair.
-Não interessa. – Disse a maldosa Nathalia.
-Você vai fazer a doação? – comentou o pai.
-Eu faço, eu faço! – Gritou Nathalia – Mas se alguma coisa acontecer comigo a culpa é de vocês, entenderam bem?

Voltando para o tabuleiro

-Eu aposto que é por causa dele que eu estou aqui, certo? – disse a pobre Nathalia.
-Mesmo você sendo ignorante como é, tenho que levar em conta que foi uma coisa boa, mesmo sendo um impulso, mas se fosse eu que desse as ordens, não seria bem assim. – Comentou o Condutor.
Aquelas palavras fizeram Nathalia engolir e refletir melhor o que disse e começar a se lamentar o que tinha feito. Quando ela percebe que o Condutor já esta em sua frente:
-Valeu a pena? – Disse ele – Cada coisa que fez, cada palavra que disse, cada ação? – Olhou fundo nos olhos dela. – Eu espero que sim. – ele agora saíra da frente, para mostrar que a era a ultima casa – Vamos, vá até a ultima casa.
Lá estava um punhado de lixo e quando Nathalia percebera, ela começa a ir para trás:
-Não, eu não vou! – Gritou ela.
-Coringas. – Disse o condutor, como uma ordem para que os coringas fizessem alguma coisa.
-Não! Não! Não! – Gritava Nathalia enquanto os coringas agora a levavam até a ultima casa a força.
Quinto e ultimo Flash
A morte

Nathalia estava procurando um endereço em uma rua muito pobre, quando ela avista um punhado de mendigos no chão, quando ela passava, eles começavam a fazer os pedidos de sempre, ela ignora todos e joga uma moeda, quando ela percebe que ali não era a rua onde deveria estar:
-Droga, eu vou ter que passar por esses nojentos de novo.
Ela começa a passar, quando um deles se levanta, tentando avisá-la de alguma coisa. Ela pensa o pior, que ele ia assaltá-la e corre de costas e é atropelada.


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Como você terminaria essa história?


Espero que sua imaginação role solta, na próxima semana, postarei a ultima parte, como penso que deveria terminar esse drama.


Abraço, fiquem com Deus.

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